Animes - Tópico Oficial.

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Mussa
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Re: Animes - Tópico Oficial.

Mensagempor Mussa » 19 Jul 2019, 12:05

Bem, saiu. Vou deixar pra maratonar os primeiros 6 episódios no fim de semana, mas acho que esta imagem já é prova suficiente de que tem dedo de americano na produção: :D

Imagem

Agora, se a moderação quiser criar um tópico pra discussão exclusiva, à vontade.

EDIT.: Bem, vi os seis episódios. Sobre as minhas impressões...

A série

A maioria das reações em toda parte é de fãs hardcore muito contrariados, mas eu assisti tendo em mente que eu ainda gosto de Saint Seiya, mas faz muito tempo que não sou fã roxo da série, então certas "mudanças" aqui e ali não me afetam (calma, vou chegar lá). Então, pude assistir de boa, pensando apenas como uma releitura do clássico. Queria só lembrar a galera que, apesar do CG ser todo japonês, o roteiro é americano e o público alvo são os países em que a série é famosa, então, sim, várias liberdades foram tomadas, mas algumas poderiam ser até melhorias. Os cofres com as armaduras se tornando pingentes/placas foi algo que veio de Ômega e Lenda do Santuário e adiciona mais praticidade às armaduras, mas elas lembram mais as versões do filme de 2014. O CG, ao contrário do que alguns pensam, deixou os personagens menos mecânicos e mais fluídos. Alguns ataques saíram perdendo nesse departamento e há muito uso de stock footage (animações repetidas) para eles. Mas, em geral, dá pro gasto.

Os personagens ainda são os mesmos (calma, vou chegar lá²). Pode-se dizer até que alguns têm as personalidades mais reconhecíveis agora do que em outras versões. Seiya é o rebelde sem causa de bom coração, Shiryu é o estóico, Hyoga o arrogante, Shun é pacifista e Ikki ainda quer mandar todo mundo pra casa do chapéu. Marin é mais casca grossa, Jabu é mais babaca e Shina parece uma vocalista do KISS ou a Karai de TMNT, mas isso só pra citar alguns. A dublagem faz um grande trabalho, com a grande maioria dos dubladores clássicos de volta e os personagens parecem menos "portuguêsmente corretos" (até exageram nas gírias um pouco). Então, chegamos à parte da...

História

Ninguém precisa de aula de CDZ pro óbvio: Seiya vai pra Grécia, treina, ganha a armadura, treta com a Shina, vai pra Guerra Galáctica etc. O primeiro episódio é provavelmente o melhor dos seis porque, para minha surpresa, faz eu me importar com o Seiya. Sério, o protagonista mais sem graça da franquia é melhor trabalhado num remake americano, de todas as coisas! Que tempo doido, esse que vivemos... Enfim, também nesse episódio conhecemos o controverso Vander Gurrad, uma espécie de cruza do Lex Luthor com o Jair Bolsonaro, como vilão inicial líder de uma organização paramilitar anti-Athena. E só com essa linha eu acho que espantei muita gente, mas, prossigo.

Gurrad estava com o velho Kido quando acharam Aiolos (R.I.P), Athena e a armadura de sagitário, tem uma epifania e decide que mandar a Saori pro saco é o melhor curso de ação, porque nesta versão, Athena pode levar ao fim da humanidade. Então, Gurrad a quer morta, o Santuário sabe que ela é Athena e ainda a quer morta e as únicas coisas no caminho deles são 4 cavaleiros de bronze, um mordomo careca e uma tampa de bueiro.

Da minha parte, eu sempre odiei quão pouco a série original dava importância a problemas e ameaças mais "mundo real". Os inimigos do primeiro arco serem terroristas é na verdade a coisa mais pé-no-chão que eu podia esperar. Dá mais pano pra manga e espaço pra respirar dos problemas do Santuário por enquanto. Apesar do roteiro americano tentar fazer uma coisa meio Marvel a princípio, eu gostei da ideia. Ainda ficamos sujeitos a adaptações (algumas até mais fiéis ao mangá), mas honestamente, a verdadeira controvérsia que movimentou fã roxo e que pode ter prejudicado essa versão foi outra...

E "a" Shun?

Pois é. Um dos personagens originais mais queridos das(os) fãs tomou uma bala onde não devia e voltou do Marrocos "mudado". E muita gente subiu nas tamancas com a notícia, o que não só atrasou o release da série, mas pode ter prejudicado muita coisa. Originalmente, eram previstos 12 episódios iniciais. O número caiu pra seis e, fora o primeiro episódio, fica a impressão de que os outros cinco espremeram todo o conteúdo do outros 11. Por um lado, enxugaram mais a história, por outro, pode ter prejudicado as sequências de lutas, algumas mais curtas do que deveriam. No fim, temos seis episódios porque, provavelmente, estão esperando pela recepção da série pra descobrir se vão dar sinal verde para o resto.

E, quanto a Shun? O que mudou com a troca de gênero?

Absolutamente nada.

Um dos maiores medos do fandom quando souberam da notícia era que fariam a personagem uma coisa bem diferente do velho Shun. Talvez transformá-la na "garota marrenta" do grupo, que bate em todo mundo e tira sarro dos rapazes porque "girlz rulez" ou alguma coisa assim. Só que não. Pode ser um pouco mais relaxada, mas todos os traços e personalidade estão lá. Essencialmente, ainda é o Shun, só que, como disse uma certa política, "azul é menino e rosa é menina".

E eis o problema: com exceção do gênero, a mudança "mudou" nada. Shun poderia perfeitamente ter sido homem aqui e não teria afetado coisa alguma. A idéia de incluir uma garota no grupo terminou sem propósito e a série pagou certo preço por isso. Literalmente, um caso de "se não ajuda, não atrapalha". Agora, de boa, teria sido bem pior se tivesse sido um dos outros bronzeados "mais populares"... Também, a Úrsula Bezerra tenta e faz um trabalho decente, mas ela parece se segurar pra não fazer a voz do Naruto com a Shun.

Nota Final: 7 honesto. Porém, é opinião pessoal.

Não é o "Penta" da história dos Cavaleiros, mas não vai fazer você odiar a franquia. Ainda vale uma conferida.

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Re: Animes - Tópico Oficial.

Mensagempor Gatack » 05 Ago 2019, 23:54

Bom já que o Mussa descorreu, vou postar as minhas impressões.

Só para contextualizar a série tem sim 12 episódios que já estão todos gravados, mas a Netflix quis dividir em duas etapas, possivelmente para ganhar mais audiência com a parte final. Inclusive já foi confirmado que teremos a 2ª temporada, muito provavelmente sobre a Saga das Doze Casas.

Eu acompanhei a saga de Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco desde a 1ª vez na Manchete, o que fez a série ganhar milhares de fãs bater recordes de bilheteria e produtos relacionados, tanto na 1ª onda, quanto na 2ª no Cartoon Network era que a série possuía elementos singulares que muitas crianças conseguiram se identificar e que cativaram um público a acompanhar mesmo diante de intermináveis reprises. A adaptação do mangá de Masami Kurumada conseguiu acertar bem esses elementos, mesmo não sendo uma série perfeita, mesmo tendo diversos fillers desnecessários, mesmo repetindo a mesma saga de cliches com Seiya apanhando que nem um condenado, mas sempre no final salvando Saori e acabando com o inimigo, mesmo com tudo isso a história e narrativa da época deu liga em tudo e mesmo não sendo um sucesso no Japão, nem chegando perto de Dragon Ball ou um One Piece da vida uma legião de fãs no mundo afora sustenta a fama e força da marca Saint Seiya.

Mudanças acontecem, são épocas distintas. Esquece de uma vez este papo de “ai, vão destruir a minha infância”, isso já deu, cansou. É um novo desenho, para um novo público. Valeu pra She-Ra, para Thundercats, para o Popeye... Isso TAMBÉM vale para estes novos Cavaleiros do Zodíaco. Os antigos desenhos vão continuar existindo, ninguém tá proibido de ir lá ver e rever. Da mesma forma, é importante tirar da mesa o papo de “isso tudo é por causa do politicamente correto” ou o velho clássico “o mundo tá chato”. Diversidade importa, representatividade também e este era um problema SÉRIO na franquia dos Cavaleiros do Zodíaco, o roteirista da série levantou uma boa questão: apenas os homens combatiam em nome de Atena. Tanto é sabido desse erro que por isso existe Saintia Shô.

Em sua maioria, as mulheres em CDZ são relegadas a papeis totalmente secundários desde sempre ou então suas inocentes namoradinhas, tipo a Shunrei pro Cavaleiro de Dragão. Ou quem sabe as amazonas, mulheres mascaradas que apesar de serem consideradas “mulheres-cavaleiros” que NÃO são nem de longe em importância o equivalente feminino dos cavaleiros, diga-se. Mulheres sem passado, presente e futuro, tipo a coitada da June de Camaleão — que inclusive se envolveu com o Shun. Quando a gente pula pra recente fase Ômega, eis que surge um exemplo como Yuna de Águia. Que não deixa de ser essencialmente uma amazona como Marin e Shina, embora se recuse a usar a máscara. Mas que passa, ENFIM, a lutar lado a lado com os novos cavaleiros de bronze. O que já é uma GRANDE vitória.

É muito legal que eles pensem em ter uma mulher de fato com mais destaque (e confesso que eu não veria problema ALGUM em ter a Marin ou a Shina transformada em “cavaleira”, por exemplo). Esta é uma iniciativa que tem que ser defendida e apoiada, tanto quanto apoiamos, por exemplo, a Marvel tirando o Deus do Trovão de cena e substituindo o cara por uma mulher, digna de erguer o Mjolnir e de chutar bundas em todos os nove reinos (Hello Thor 4: Love and Thunder com a Jane Foster).

O grande problema aqui é que o personagem escolhido para esta mudança de sexo seja JUSTAMENTE o Shun de Andrômeda.

Diz a lenda dos bastidores que Masami Kurumada, criador dos Cavaleiros, queria que Shun fosse mesmo uma mulher, mas por algum motivo acabou mudando de ideia. Tanto faz. Isso não muda o rumo daqui. A escolha não foi tornar mulher um sujeito furioso e impetuoso como o próprio Ikki, por exemplo. Ou quem sabe o Shiryu, cabeludão, estilosão, justamente o favorito dos fãs. Eles foram buscar tornar feminina justamente o personagem andrógino, típico das produções culturais japonesas. Aquele que vestia a armadura cor de rosa e representava uma constelação feminina, que era mais ~frágil, mais ~sensível, que era mais defesa do que ataque, que evitava lutar a todo custo.

Aquele que todo moleque de 10 anos de idade vendo os Cavaleiros do Zodíaco na tela da finada TV Manchete dizia que era um bundão sempre que pedia a ajuda do irmão para sair de uma enrascada. Criativamente, acabaram indo na decisão mais óbvia. E também na mais problemática. Porque, afinal de contas, mulher é que é frágil e delicada. Não dá pra admitir que um homem, autointitulado GUERREIRO, seja do tipo que não gosta de partir pra porrada. E ainda use rosa? Mas que absurdo, não é mesmo?



Falando da animação nova em si tem aspectos positivos, a intenção de modernização do gigante do streaming foi realmente sincera. Diferente do bizarro filme com os bravos guerreiros de Atena computadorizados, grande parte da atualização aqui parece um tanto mais ~natural, menos forçada. A dublagem funcionou na mosca, com as vozes originais incorporando expressões e trejeitos atuais de maneira solta, leve, sutil, as vezes tendo uma liberdade exagerada.

Além disso, a atualização da mitologia também funcionou — tanto na parte em que o tal COSMO é tratado como um superpoder inerente, que nasce com a gente, tipo uma manifestação mutante, e menos como uma coisa meio hipster-astrológica-pasteurizada sem grande explicação que a gente desenvolve meio na base da meditação, quanto na ambientação.

Vivemos num mundo de tecnologia avançadíssima ao nosso redor, então nada mais justo do que contrapor a magia e o misticismo a um universo de celulares, GPS, implantes cibernéticos e vídeos que viralizam no YouTube. A ambição do homem, aqui cristalizada na figura do personagem inédito Vander Guraad, um general que quer dominar o poder das armaduras de ouro, faz os Cavaleiros questionarem suas rígidas regras de conduta e mesmo umas tais profecias ancestrais em prol do que é certo — taí uma coisa bem legal de ver, que acrescenta uma bem-vinda camada de complexidade à hierarquizada sociedade dos cavaleiros de ouro, prata, bronze, etc.

Agora por outro lado...
é preciso falar de novo do Shun. Por um lado, legal, fica claro desde o começo que existe espaço para as mulheres que querem ser cavaleiros e/ou amazonas. Só que... duas coisas aqui. A primeira é que de que adianta fazer esta mudança muito da bem-vinda se a Shun é a ÚNICA cavaleiro/amazona de bronze que aparece ao longo dos seis episódios? Sério. Fora Marin e Shina, que não usam armaduras propriamente ditas, não tem uma única mina nem de coadjuvante nos treinamentos ou mesmo no torneio? Tem algo errado, não?
Mas aí rola a segunda cagada. Tá, a Shun funciona como o Shun funcionava para a dinâmica do quinteto. Mas é aí que mora o problema. Ela continua sendo a personagem frágil, delicada, que não quer saber de confusão, que é especialista na arte da defesa e não no ataque. Dava TRANQUILAMENTE para ser o Hyoga de Cisne, por exemplo, que aqui é o cara mais complexo, chato, provocativo, arrogante. Ou mesmo o Shiryu de Dragão. Era preciso ousar mais, ainda que fosse incomodar mais.

E, vamos ser francos, é impossível ignorar a questão da animação, tecnicamente falando. Tem algo que não funciona ali. A movimentação dos personagens é bastante dura, engessada, parecendo demais um videogame que SE PARECE com um videogame. Falta uma fluidez que fique bastante evidente principalmente durante as lutas. Além disso, as expressões faciais fazem falta. Falta contração nos olhos, falta tremedeira na boca, pra expressar raiva, tristeza, surpresa. A rigidez do olhar da Saori, por exemplo, chega a ser assustadora. Ela realmente parece uma boneca, o que está longe de ser uma boa notícia. No máximo, um dos únicos que ainda traz um tantinho de profundidade no rosto é o Ikki — e mesmo assim, com muita boa vontade de quem está assistindo.

Tudo se move muito rápido, do jeito que crianças talvez gostem de acompanhar suas produções, mas sem qualquer aprofundamento, até um universo como este, que aborda elementos da mitologia grega e armaduras super-poderosas, pode tornar-se enfadonho bem rápido. Ao longo dos episódios, algumas pausas são feitas na trama principal para dar espaço à sequências que preenchem as histórias passadas dos coadjuvantes, mas o ritmo apressado também acaba deixando-as tão banais quanto o desenvolvimento da série em si.

Enquanto na série clássica a dramaticidade (quase que num nível de novela mexicana) costura as relações entre os protagonistas, nessa versão a relação entre eles brota de forma tão repentina que são obrigados a falar de amizade, time e trabalho em equipe repetidamente. A trilha sonora é apática, sendo este um dos pontos mais marcantes em todas os animes que levam Saint Seiya no nome.

Os diferentes grupos de cavaleiros não são tão distinguíveis quanto a série parece acreditar que eles obviamente são, e a urgência desta história nem sempre fica clara o suficiente para engajar o espectador. Mas este Cavaleiros do Zodíaco da Netflix não encontrou as melhores soluções para mesclar suas diferentes propostas, e acabou sendo confusa demais para poder aproveitar o melhor do rico universo em que se baseia.


Nota Final: 3,5. Para o público alvo, a criança vai se interessar apenas pelas lutas, não tem desenvolvimento nenhum, não tem o apelo para simpatizar com os personagens, pois tem que ser corrido, apenas destaco desse inicio por exemplo a luta de Seiya x Shiryu, que sentimento traria a uma criança hoje vendo essa versão e a versão original do jeito que foi, dai da para perceber a narrativa.
Acho difícil uma criança deixar de se interessar mais por um Ben 10 ou Lady Bug para Cavaleiros do Zodíaco se tornar a sua preferida. Um outro exemplo é o próprio Dragon Ball Super que deu super certo com os americanos, o último filme com o Brolly foi o maior sucesso lá.
Gatack
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